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10/12/2014

Entre Autores: Não sei, só sei que te amo


"Não sei porque te amo. Assim, de forma tão objetiva, não sei. E te garanto que essa é a melhor resposta que vou poder te dar. Mas, se você quiser saber mesmo, até tento explicar. 

Sabe essa pessoa que sou hoje? Que algumas elogiam e outras falam que está no caminho certo? Sabe essa personalidade diferente de um tempo atrás, esse olhar tentando ser mais maduro e grato? Sabe esse cara que já não age tanto mais por impulso e passou a pensar mais no outro? Sabe essas descobertas sobre o que realmente é o amor?

Eu sei que você sabe que tudo isso aconteceu comigo desde que você chegou.

Eu pude, enfim, entender e aprender sobre dar e receber carinho de alguém. Eu, então, amei completo – da ânsia do encontro à paciência do tempo. Consegui trabalhar defeitos e enxergar meus medos de forma diferente. Compreendi, de certo, que um relacionamento é feito na primeira pessoa do plural, respeitando as opiniões vindas das vozes singulares. 

E me permito falar tão francamente de todas as mudanças que aconteceram comigo e aqui no meu canto porque é apenas tentando enumerar tudo isso que vou chegar perto da tradução de todo esse bem que me fez. Um bem de leve e sorriso amor. Um bem que, às vezes, não sei porque fez tanto bem assim em mim. Aí, volto à resposta direta (ou evasiva).

Por que te amo?
Não sei. Só sei que te amo."

Sobre o autor: Gustavo Lacombe, vinte e poucos anos e um talento para a escrita de quem já nasceu sabendo. Ele, porém, acha que vai ser preciso gastar muita ideia até conseguir chegar a algum lugar. Escreve por esporte, paixão e prazer. Carioca da gema, acredita no amor bonito, ainda que o amor tenha diversas facetas não tão bonitas assim. Romântico, corredor de meia-maratonas e feliz proprietário de um violão Martin. É no blog e na página que, volta e meia, despeja o que lhe inspira, expira e vive. Ou queria ter vivido. 


02/06/2014

Resenha: Um sorriso ou dois, Frederico Elboni


Sem dúvidas, esse foi o melhor livro de contos e crônicas que já li em toda a minha vida (até agora). Eu poderia parar minha resenha por aqui. Mas sei que vocês merecem sentir, também, o gostinho do prazer que eu tive lendo essa obra. E também dos sorrisos, risos e suspiros que o Fred me arrancou. 

Sobre o autor: Frederico Stewers Elboni é paulistano e publicitário, tem 23 anos e mora no pacato estado de Santa Catarina. Em 2011 e 2012 foi autor-roteirista do programa Amor & Sexo da Rede Globo. Hoje ele é dono do blog "Entenda os Homens" – um de seus milhares de acessos diários é meu, só pra constar. Apaixonado pelos conhecimentos empíricos da vida, sushi (eca!) e nhá benta, sempre gostou de mostrar às pessoas como tudo pode ser simples. Fred acredita fidedignamente na teoria de que sorrisos podem curar qualquer coisa. Menos mau-caratismo e o "horrendo hábito" de colocar ketchup na pizza (pô, Fred! Sou desses que só consegue comer pizza se tiver ketchup no meio. Hunf!)

Um Sorriso ou Dois é composto por contos e crônicas, alguns dos textos foram escritos para uma vida a dois, enquanto outros, foram feitos com uma pegada mais pessoal do autor, porém, isso não impede que suas palavras falem por todos nós.

Sua escrita é descontraída, e ao mesmo tempo, rica em palavras não tão usadas no cotidiano. O que me fez apreciar mais ainda seu trabalho. Convenhamos, não é todo dia que encontramos alguém tão jovem e com um vocabulário tão demasiado. Gosto bastante de escritas assim.

E por seus textos serem tão descontraídos e carregados de safadeza e romantismo, a leitura acaba sendo prazerosa.

Em breve postarei algumas de suas obras aqui no blog, na tag “Entre Autores”. Por enquanto, desfrutem dessa prévia do livro em forma de vídeo – ah, falei que além de roteirista, publicitário, escritor e blogueiro, ele também é vlogueiro? – onde o Fred recita uma de suas crônicas, e que eu, particularmente, concordo com tudo! 

Dá o play aí (e compre o livro aqui!):


29/03/2014

Entre Autores: "A síndrome dos 20 e tantos"


Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos. Dá-se conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc. E cada vez desfruta mais dessa Cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco. As multidões já não são ‘tão divertidas’, às vezes até lhe incomodam.

Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo. Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas. Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor. Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto e te achou o maior infantil, pôde lhe fazer tanto mal. Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar, e isso assusta!

Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado e significa muito dinheiro para seu pequeno salário. Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.

Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes. Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é. Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso.

De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando. Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você. E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.

O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse texto nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça…

Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16…

Então, amanha teremos 30?!?! Assim, tão rápido?!?

Sobre o autor: Desconhecido, por enquanto. 

08/02/2014

Entre autores: "Como reconhecer uma mulher marcante"


A verdade é que se pode reconhecer uma mulher marcante há quilômetros de distância. Sem precisar sentir o perfume forte ou ver o batom vermelho. A mulher marcante dispensa acessórios, é completa em si mesma. Não precisa anunciar-se, por que tem o dom de não passar despercebida. A mulher marcante nunca pretende incomodar, não gosta de provocar a inveja alheia. Um olhar de despeito não torna o seu dia mais alegre, pelo contrário, lhe é indiferente. A mulher marcante sabe bem do seu poder, por isso consegue admirar tranquilamente a beleza alheia, elogiar a grandeza de outrem sem sentir-se diminuída. Vez ou outra ela sai bem vestida e bem maquiada, mas por trás daquilo tudo ainda exala um aroma de naturalidade que encanta. Cultua a beleza porque gosta, mas definitivamente não precisa. A sensualidade está presente, mas não se pode dizer de onde ela vem.

A mulher marcante é, sobretudo, sutil. Ela não grita aos quatro ventos a própria virtude, ela não precisa humilhar outras mulheres ou provocar os ex-namorados. Ela realmente faz toda a diferença. Ela sabe ser dispensada com um ar sensato que faz qualquer galã sentir-se um babaca. Ninguém jamais a abandona sem que se arrependa amargamente pelo resto da vida, e ela guarda um encanto que não deixa espaço pra críticas maldosas. Ela é do tipo que não quebra promessas e não omite os próprios defeitos. Ela se aceita e nunca se desculpa por ser quem ela é. Ela compreende a efemeridade das coisas e das pessoas, mas se recusa terminantemente a ser efêmera. E não poderia ser, mesmo que quisesse, porque ela sempre vem pra ficar. Mesmo depois que vai embora, de alguma forma ela fica, porque é do tipo de mulher que não precisa se fazer presente para ser lembrada.

A mulher verdadeiramente marcante nunca se diz melhor que as outras, embora em muitos aspectos ela seja. Ela guarda os seios bem guardados numa blusinha discreta, em vez de espremê-los num sutiã menor que o seu manequim.

A mulher marcante não se importa de ter gostos peculiares. Ela não segue tendências, mas também não persegue a originalidade a todo custo. Ela não tem vergonha (e nem orgulho) de dizer que gosta do que ninguém gosta, ou que gosta do que todo mundo gosta. A opinião alheia nunca é um problema para ela, porque, verdadeiramente, ela se basta. Sem petulância e sem egoísmo, ela se basta. E por isso mesmo ela não sente necessidade de falar de si mesma, quase nunca.

Esse tipo de mulher sofre constantemente com a inveja alheia, embora, na maioria das vezes, sequer se dê conta. Ela se ocupa em tornar-se alguém melhor e superar os próprios limites, ela gosta tanto de distribuir bons sentimentos que os sentimentos ruins passam despercebidos diante de seus olhos. E isso a torna, de certo modo, inatingível. Embora não queira e não precise incomodar, ela incomoda. E muito. Desperta, na verdade, uma enorme curiosidade em torno do que a faz tão atraente. Pouca gente entende. Não se sabe qual é o traço que chama tanta atenção, ninguém consegue identificar a virtude que a torna tão marcante. Mulheres marcantes são, sobretudo, raras.

É curioso: Quanto mais ela se esconde, mais evidente fica. Quanto mais neutra busca ser, mais marcante se torna. Leveza é o seu sobrenome, mas a sua presença pesa como nenhuma outra.

Sobre a autora: Nathali Macedo é atriz apaixonada, estudante de direito e aprendiz de tudo nessa vida. Gosta de blues, de café e de gente. Recusa-se a levantar da cama se não for para experimentar algo completamente novo. No mais, nunca foi santa. Escreve sobre tudo em Poesias Sobretudo


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Ei, você aí! Você escreve? Que tal mandar o seu texto pra gente? Quem sabe ele não aparece aqui na categoria Entre Autores? É muito simples, você só precisa mandar um email com o texto anexado ou enviar através da na nossa página no Facebook!

16/01/2014

Entre autores: "Sobre meninas e mulheres"


Meninas se decepcionam por pouco, mulheres não esperam de nada muito. Meninas sonham com amores impossíveis, cavalos brancos e príncipes encantados. Mulheres sabem que os príncipes nem sempre se encantam e preferem buscá-los em seus próprios carros do que esperar por um cavalo que nunca chega. Nada pessoal, gostam de ter o controle da situação. Mulheres sabem que o amor foi criado como uma esperança tola e boba para que as pessoas acreditem em algo. Porque o amor existe, mas está nas pequenas coisas. Nada de conto de fadas e felizes para sempre. Pessoas não são felizes para sempre e contos de fada dão sono.

Meninas choram quando algo não dá certo. Mulheres preferem avaliar o que deu errado e procurar consertar seus erros, pedir desculpas, fazer diferente. Nada de drama, choros. Maturidade, por favor. Meninas mandam indiretas, mulheres dizem na cara. "Não sinto o mesmo que você, desculpe-me.''Nada de ''O problema não é com você, sou eu..". Uma menina tem a necessidade de ouvir o dia inteiro o quanto ele gosta dela. Uma mulher não precisa ouvir da sua boca o quanto você é apaixonado por ela. Ela sabe e é convicta disto. Meninas sentem ciúmes e desconfiam de tudo. Mulheres te deixam livre, faça o que quiser. Só  não as procure nunca mais e sejam maduros o suficiente para admitir seus erros.
 Meninas esperam por uma atitude. Mulheres partem para cima quando querem. Meninas sonham. Mulheres realizam. Você poderá conhecer muitas meninas ao longo de sua vida, todas elas lindas e diferentes ao seu jeito. Mas será das mulheres que você não vai esquecer. Não vai conseguir esquecer.
Mulheres: seguras, independentes, confiantes, lindas e encantadoras. Não há quem resista a uma mulher que sabe o que quer. Não há quem resista a uma mulher que não tem medo de dizer o que pensa, não tem medo de ser o que é. Não há homem que resista a uma mulher independente e que não precisa de ninguém para ser completa. Mulheres que não se impressionam com pouco, não se iludem por nada e não se deixam levar por qualquer palavra. 
Sabe aquela menina que um dia se iludiu, chorou, gritou, brigou e se decepcionou? Ela se tornou uma mulher. É, isso mesmo. Ela amadureceu e cresceu. Não vá pensando que a sua menina está lá só esperando você voltar. Porque ela já desistiu há muito tempo. Hoje ela é uma mulher que vai atrás do que quer e se até hoje ela não foi atrás de você.. Sinto muito. Você não é o suficiente.
Sobre o Autor: Isabela Freitas tem 22 anos, mora em Juiz de Fora, mas vive mesmo no mundo da Lua. Gosta do número 7, amores de arrancar o coração, bichinhos de rua e músicas fofinhas. Ah, ela adora signos também. Sagitariana, teimosa, sincera, sonhadora, dramática e um pouco exagerada. Mas só um pouquinho. Seu primeiro livro intitulado "Não se apega, não'' a ser publicado pela Editora Intrínseca, será lançado em 2014. 

09/01/2014

Páginas legais no facebook que você precisa conhecer!

Paris | via Tumblr

Separei seis páginas do Facebook que eu adoro pra compartilhar aqui com ocêis! Com certeza vocês já devem ter ouvido falar delas, sãos pages famosas que postam diariamente quotes inspiradores. Sabe aquela frase que você olha e pá? Ela abre seus horizontes, ela te entende, ela... nossa cara! Vocês tão me entendendo? 

Essa quem não conhece, né?! Adoro os quotes do Antônio, eles são manuscritos escritos em guardanapos de papel e o sucesso da página foi tanto que gerou um livro com todas as suas imagens postas no facebook, e eu quero comprar logo o meu =(

Essa eu tenho certeza como todo mundo conhece. São indiretas carinhosas acompanhadas com ilustrações fofinhas, é muito amor pra uma page só! 

Pertence ao mesmo grupo de amigas que gerenciam o Indiretas do Bem, só que aqui a gente encontra indiretas fofas sobre livros famosos  A Culpa é das Estrelas, Harry Potter, Game of Thrones, O Pequeno Príncipe, Fazendo Meu Filme, Cidades de Papel, entre outros   e lá também tem indireta para os amantes da literatura, gente que recém termina um livro e já vai para outro.

De todas, a Neo é a minha página favorita! Ela é uma extensão do blog do Matheus Rocha, jornalista e aspirante a escritor e fotógrafo, como ele mesmo fala. Suas imagens são pequenos trechos de seus textos, e é aquela coisa... quando a gente se identifica com a frase, quer ir correndo ler o texto completo (é o que acontece comigo). 

Isabela, a loira do desapego, é escritora e também blogueira, com certeza você já deve ter ouvido falar dela. Na sua page ela posta diariamente imagens lindas com frases incríveis de sua autoria, vale a pena curtir! 

A Toysquotes publica frases de famosos de uma forma fofa e divertida, eles usam ilustrações do autor da frase em forma de bonequinhos. Lá tem de tudo: pensadores, famosos da internet, cantores, atores, personagens e etc. 

P.s: Obrigada ao anônimo(a) do ask que me deu essa ideia de post.

22/11/2013

Entre Autores: "Faça amor, não faça jogo"

ParisInBed

Ouvi um velhinho dizer: “Amei a mesma mulher durante 50 anos”. Pensei no quanto isso era ducaralho, até que ele disse: “Queria que ela soubesse disso”. Às vezes as pessoas fazem jogo duro porque precisam saber se os sentimentos do outro são reais. Pensei no quanto isso era fodido.

Somos apenas caras, somos estúpidos de vez em quando, muitas vezes. Quantas vezes, quis dizer: “EU GOSTO DE VOCÊ” e não disse. Não quero chegar aos 90 anos, morrer e pensar que eu podia ter tentado. Eu costumava ser mais feliz. Hoje tá tudo meio “tanto faz” Vejo homens chamando mulheres para saírem, e no último minuto desmarcarem. Apenas para serem difíceis, ou tanto faz. O maior crime do homem não é despertar o amor de uma mulher e não amá-la, é fazê-la se depilar à toa.

Eu tinha uma paquera, eu mandava mensagem, e ela demorava sempre quatro dias para responder. Imagina se eu fosse aquelas pessoas, que pensam que se demorar mais de cinco minutos para responder já começam a se arrepender de cada letra que escreveu. Esses dias, depois de sei lá quanto tempo, essa paquera mandou mensagem dizendo que está com saudades. A pessoa diz sentir sua falta, mas não demonstra. Ela espera que você adivinhe com seus super-poderes mentais que ela precisa de você. Eu sabia que qualquer coisa que eu respondesse, teria que esperar uns quatro dias para obter a resposta. Então respondi: “Aproveita o gelo que vai me dar e me traz uma coca gelada”. Se você está cansado de joguinhos, de tanto faz, dessas regras bobas, faça como eu e demita-se!

Sabe, esqueça essa teoria de não dar moral. Se quer ligar, liga. Vai lá, tente a sorte, quebre a cara, arrisque! Pensar duas vezes é à distância entre os que sonhamos e os que vivemos. Então, viva. Saí fora dessa bolha porque felicidade não é mercadoria, não é um remédio que se fabrica com fórmula errada ainda, de indiferença, cara feia e nariz empinado. Não tem graça ter essa vida, onde você tem que esconder seus sentimentos por que alguns; falam que isso é o seu valor. Muita idiotice. Limitar-se já é um problema, limitar o sentimento é o pior deles. Perdemos a chance de viver uma história pelo simples fato de não falar. Eu agora, me apaixono por mulheres que, além de gostarem de Pearl Jam, aceleram meu coração. Eu agora, me apaixono por mulheres diretas e honestas. Que não fazem jogos, fazem amor. Quero conquistar uma mulher sendo eu mesmo. Sem estereótipos, sem medo. Eu agora, passei a ver o mundo de outra maneira. E não foi ele que mudou, fui eu.

Sobre o autor: Ique Carvalho é escritor errático, freqüentemente envolvido em algo bizarro, e em alguns casos, “scandalous situations”

09/10/2013

Entre Autores: Quase





Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. 


Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. 

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.



Sobre a autora: Sarah Westphal é catarinense, hoje com 29 anos é a verdadeira autora do texto que correu mundo como se fosse de Luis Fernando Veríssimo, "Quase".

20/09/2013

Entre Autores: A Impontualidade do Amor.



Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha. 

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa? 

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retratos e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio. 

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa. 

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito. 

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

Sobre a autora: Martha Medeiros é jornalista, escritora, aforista e poetisa brasileira. Trabalhava em propaganda e publicidade, mas logo sentiu-se frustrada com a carreira. Seu marido recebeu uma proposta de trabalho no Chile, e esta decidiu que uma mudança de país seria ótima oportunidade para dar um tempo na profissão, ficou oito meses no Chile, na qual passou escrevendo poesia – sendo um divisor de águas na sua vida. Quando voltou para Porto Alegre, começou a escrever crônicas para o jornal e, a partir daí, sua carreira literária deslanchou.

15/07/2013

Entre Autores: Para uma menina de 15 anos

Happy party
Um dia desses, me perguntaram qual conselho eu poderia dar a uma menina que ia completar 15 anos. Imediatamente, eu fiz uma viagem no tempo e tentei descobrir o que eu gostaria de ter escutado quando tinha essa idade. E então eu cheguei a uma conclusão: Nada. Eu não gostaria de ter ouvido nada.
Às vésperas dos meus 15 anos, eu só queria aproveitar a vida. E eu acho que fiz isso bem. Lembro que, naquela época, uma amiga me disse que abriria mão de ter 14 e 16 anos se ela pudesse ter 15 por três anos seguidos. Quando perguntei o motivo disso, ela explicou que aos 15 você tem o melhor dos dois mundos. Você tem o direito de ser criança e adulta. Pode brincar, mas também namorar. Você sabe conversar sobre assuntos sérios, mas ninguém liga se vez ou outra você fizer uma criancice.
Eu ainda não tinha completado essa idade, mas depois da minha festa de 15 anos, percebi que ela estava certa, pois minha vida realmente mudou. Por alguma lei invisível, meus pais passaram a confiar mais em mim, como se eu tivesse me tornado responsável da noite para o dia, como se dali em diante eu já tivesse condição de responder pelas minhas ações. Os professores também passaram a me tratar de forma diferente. Se eu tirava uma nota baixa, não era mais com a minha família que eles iam reclamar, agora eu era a dona do meu boletim e a mais interessada se ia passar de ano ou não. Até o meu corpo passou a me entender melhor, de uma hora pra outra meu cabelo ficou mais domado, eu cresci, emagreci… Acho que na verdade, tudo isso não passou de um reflexo do meu próprio comportamento. Eu é que provavelmente fiquei mais disciplinada e isso fez com que meus pais, professores e corpo reagissem. Mas o melhor era que se um dia eu acordasse com vontade de ver um desenho animado, com preguiça de estudar ou com o cabelo arrepiado, ninguém implicava muito. Viam isso como “crise da idade”. Porque com 15 anos você tem direito de ter crise. Afinal, todo mundo sabe que você está aprendendo, não é obrigada a saber tudo.
Aos 15 anos, você se apaixona e se desilude em um piscar de olhos. Nada é definitivo. Você pode (e deve) testar várias vezes. Pode mudar de ideia e começar tudo de novo e então mudar novamente… Não é preciso ter certeza de nada. Todo mundo é bonito (e se não é, dá um jeito de ficar). A vida é leve.
E é por isso que quando eu estava prestes a completar 15 anos, eu pensava que tinha o mundo aos meus pés. Eu achava que não importava errar ou acertar, pois teria muito tempo para mudar de direção. Eu sabia que a sorte estava ao meu favor.
E agora, olhando de longe, fico surpresa ao constatar que eu estava certa…
Portanto, para aquela menina (e para todas que estão pra fazer 15 anos), eu só tenho a dizer que aproveite cada minuto, pois você só vai ter essa idade uma vez na vida! Você está vivendo uma época única, então não gaste energia com bobagens, passa muito depressa. Trace seus sonhos com cuidado e corra em direção a eles. É você que irá definir onde estará em alguns anos.
Espero que, daqui a um tempo, quando alguém perguntar que conselhos você daria para uma garota de 15 anos, você possa dizer apenas isso: Seja feliz! Assim como eu fui… e assim como eu sei que você pode (e vai) ser.
Sobre o autor: Paula Pimenta nasceu em Belo Horizonte - MG. Desde criança apresentou aptidão para a escrita e por esse motivo prestou vestibular para Jornalismo, embora tenha transferido para publicidade, curso no qual se formou na PUC Minas. Paula é compositora além de escritora e autora de grandes sucessos juvenis como "Fazendo meu filme" e "Minha vida fora de série", ela soma um total de dez livros já publicados. 

28/01/2013

Entre Autores: A maior tragédia de nossas vidas


espirita-santa-maria

Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. 

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. 

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. 

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. 

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada. 

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa. 

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio. 

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. 

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. 

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. 

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo? 

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista. 

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e quarenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal. 

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso. 

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido.


Sobre o autor: Fabrício Carpinejar  é um gaúcho, poeta, cronista, jornalista e professor universitário, tendo diversos livros publicados e também muito reconhecido por seus blogs. Sua poesia, ou melhor, seu sentimento ganhou voz na narração de Paulo Betti, assita aqui. *Se você escreve e quer ter seu texto divulgado, entre em contato.*