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14/06/2016

EMPODERE UMA CRIANÇA

VOCÊ PODE MUDAR O FUTURO DA SOCIEDADE EM QUATRO SIMPLES PASSOS



Já parou pra pensar em como a vida de milhares de mulheres ao redor do mundo todo poderia ter sido melhor se elas e seus agressores tivessem sido apresentados ao feminismo desde pequenos? A televisão apresenta, em horário nobre, propagandas de cerveja onde há sempre uma mulher seminua sendo objetificada. A internet é repleta de piadas sexistas ridicularizando as mulheres, desde as mais "leves" até as mais absurdas. Nas escolas, menino que mal trata uma menina é inocentado por "gostar" dela. Nas festas, homens que levam um "não" como resposta, vão atrás do que querem independente da vontade da mulher. Nas empresas, mulher que recusa atender as vontades íntimas do patrão é demitida. No aniversário da(o) filha(o) os pais se ofendem pela criança ter recebido um brinquedo referente ao outro gênero, tipo um carrinho ou uma panelinha de fazer, sei lá, pipoca? Em casa, os pais ensinam suas filhas a cuidarem do lar pois "um dia terão suas casas", enquanto isso, o outro filho do casal fica no computador jogando simuladores de guerra, voo, violência... 

Isso é machismo, isso é a nossa sociedade. Como podemos mudar esse cenário? 


  • Quando vê-la praticando o machismo, mesmo que seja sem saber, mostre que ela está errada e o por quê.
Não tenha medo de corrigir só porquê é uma criança. O machismo que ela acha normal já machucou e matou milhares de mulheres desde os primórdios da humanidade, quando naquela época o assunto era camuflado com termos tais como: cultura do país e crença. Então mostre pra ela o motivo daquela piada não ter graça ou o porquê da atitude/pensamento que ela teve ser crime e o quanto isso prejudica outras pessoas ao redor do mundo todo.

  • Mostre para a criança que ela pode exercer a profissão que ela quiser quando crescer.
Encoraje-a, mostre o quanto é bom poder fazer as próprias escolhas. Ninguém deve se submeter a largar seus planos porque um grupo de pessoas não acha que ela tenha a mesma capacidade que o concorrente pertencente ao sexo masculino. 

  • Não rotule os serviços domésticos.
Não importa se você tem uma menina ou um menino ou um casal em casa, se for pedir ajuda nos serviços domésticos para algum, saiba que deverá pedir igualmente para todos! E nunca argumente pra sua filha que ela deve aprender a limpar uma casa porque um dia ela terá a dela. O seu filho por acaso não vai ter casa própria? Ele vai morar com os pais pra sempre? 

  • Ensine meninos a respeitar meninas
Lembro como se fosse ontem meus pais lotando minha cabeça de avisos de "como se cuidar" e posso confessar que muitas vezes esses cuidados obrigatórios não funcionavam já que quando um cara passava por mim e minha mãe na rua, a primeira coisa que ele fazia (antes de soltar um sussurro nojento dizendo algo imoral) era fuzilar a gente com aquele olhar horrível de predador. Então, pra ser BEM MAIS SIMPLES E EFICAZ, por quê não educar os meninos enquanto crianças a serem homens decentes? O que nos impede de abandonar a frase "mas ele é homem, ele pode (tudo)"?

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Deixe aqui nos comentários outros tópicos de empoderamento que você acha importante e vamos todos juntos se ajudar! 


20/05/2016

NÓS DESPERTAMOS E QUEREMOS DESPERTAR VOCÊ TAMBÉM

Uma breve conversa sobre o meu maior propósito na vida, feminismo e mudanças




Já fazia tempo que eu questionava os propósitos do blog e me perguntava o que me impedia de transformar esse meu espelho em algo maior. O que vou cotar agora é tão íntimo e especial que posso contar nos dedos de uma só mão o tanto de gente com quem compartilhei essa espécie de pressentimento. Bom, desde pequena sinto que devo mudar algo no mundo, ser reconhecida por muitos mas não por algo fútil e sim por uma causa. Acredito que todo mundo já deve ter sentido isso pelo menos uma vez na vida, então suponho que me entendem. Mas como fazer isso sem ser uma atriz famosa, uma cantora aclamada ou um ícone importante na política?

A causa

Eu leio sobre homens e mulheres que mudaram a sociedade para melhor e me pergunto, onde que posso me encaixar nisso? O que eu tenho de único e inédito que já não tenha sido abordado por outros durante todos esses anos de civilização? São perguntas difíceis que merecem muito tempo para serem digeridas. Eu mereci muito tempo para conhecer o pouco que sei de mim e de mundo que aprendi até agora. Refletir sobre sua vida e despertar para más atitudes de pessoas que você ama é assustador! Mas isso só aconteceu porque, certa vez, enquanto me aprofundava mais no fantástico mundo feminista, fui associando vários fatos da minha vida ao machismo e o quanto isso me prejudicou em diversos momentos. E foi nessa hora que descobri que sou feminista, sim! <3

O empoderamento 

Depois disso, assumo para quem quiser ouvir que eu não admito pai privando a filha de boas amizades porque ele tem "ciúme" dela, não aceito meninos jogando jogos que objetificam a mulher para seu entretenimento, não consigo me relacionar bem com mulheres que ensinam seus filhos a serem futuros maridos machistas incapazes de lavar uma louça etc. Um grande ETC.

Me arrependo horrores de não ter descoberto o feminismo enquanto ainda estava na barriga da minha mãe. Eu teria sido uma adolescente bem mais segura e resolvida com a vida se o feminismo tivesse sido abordado dentro de casa e/ou na escola. Ouvia algumas vezes as pessoas falares "Fulano é muito machista!" e mesmo sabendo o significado da palavra nunca tinha me passado pela cabeça procurar o antônimo da mesma. Me sinto tão idiota por isso, mas não posso me culpar, nunca tinha visto NINGUÉM tomar atitude e impor o feminismo com tanta garra como agora. As amigas da minha mãe falavam que mulher nenhuma pode abaixar a cabeça pra homem e aceitar desaforo, mas nunca tinha visto ou ouvido alguma história de alguma delas sobre cortar uma cantada na rua sem sentir medo, ou usar uma roupa que goste mesmo quando o pai ou o marido ordena não usar, ou até mesmo sair na rua a noite desacompanhada de uma imagem masculina. Isso não é empoderamento, não pra mim. Empoderamento é transformar em ações tudo o que você acredita. Não adianta falar que é contra o machismo sem lutar pelo fim dele.

A mudança 

Então acredito que essa possa ser a minha causa e depois de finalmente encontrá-la, quero disseminá-la ao meu redor e ajudar quem quiser ajuda. Por isso o blog mudou, porquê eu me encontrei. O Nuveline não mudou só na estética, mas também no conteúdo - o que, a meu ver, é o mais importante. Aqui poderemos debater sobre as artérias da cultura machista, abordar assuntos que talvez eu e você nunca pensamos que poderia ser tão ruim às mulheres e, claro, formarmos uma grande nuvem de empoderamento feminino. 


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Não esquece de me contar o que achou do novo layout e o que gostaria de ler por aqui, tá bom?


26/02/2016

Vamos falar sobre empoderamento feminino através dos cabelos?


Já contei aqui no blog sobre os meus ex-cachos e o quanto gostaria de tê-los de volta, mas hoje quero ir além. Preciso compartilhar com vocês o quanto eu amo a força do empoderamento feminino e em como esse assunto está presente em absolutamente tudo (mesmo que às vezes seja bem discreto).

Ontem uma amiga me sugeriu que eu falasse sobre a nova campanha da Dove que tá inspirando muitas mulheres pelo país inteiro. E cá estou eu pra falar um pouco da minha história que relata o seguinte:

Quando pequena eu tinha os cabelos cacheados e muito volumosos, mas isso nunca foi problema pra mim durante a infância. Aos 9 anos pintei minhas pontas pela primeira vez com um rosa maravilhoso, só que durante o processo de coloração o cabeleireiro disse algo do tipo "Pena que teu fio não é liso, assim a cor ficaria mais bonita e realçada". Na hora só concordei e continuei ansiosa pelo resultado mas depois pensei que aquele fosse um profissional de merda por achar isso, porque se ele fosse bom mesmo no que faz faria com que uma californiana colorida ficasse legal até em quem é careca! Outra vez também disseram que meus cachos davam uma impressão "desarrumada" no meu visual. Queridos, hoje tenho o cabelo liso e ele continua me dando impressão de desarrumada em quase todos os dias, mas isso faz parte de mim. E, sinceramente? Cabelo domado todos os dias em mim fica tão sem graça. 

Lá no auge dos meus 10 anos comecei a me irritar com meus cachos, eu nunca soube cuidar deles, sempre ia pra aula com um coque bem preso na nuca e com a raiz lambidérrima e encharcada de creme e água pra segurar os frizz e as ondulações dos cachos e, quando a raiz começava a secar, lá ia eu no banheiro da escola tacar mais água na cabeça. Em casa, usava shampoo, condicionador e máscara para cabelos lisos achando que isso alisaria meus fios. Iludida demais. Como todas nós sabemos, não há nada melhor do que usar um produto destinado ao seu tipo de cabelo para que ele fique de fato bonito. 


De tanto reclamar do meu cabelo todos os dias, meu pai sugeriu que eu fizesse a tal da "Escova Inteligente" que nada mais é do que uma progressiva um pouco mais fraca e então comecei a implorar pra minha mãe para fazer a tal. A maioria das minhas amigas já tinham aderido a técnica, as mulheres na televisão também já, as modelos então nem se fala. Todas queriam os cabelos lisos influenciados pela sociedade, inclusive eu.

Só fui conseguir a aprovação da minha mãe aos doze, e lá fui eu ansiosíssima para o salão. Alisei. Me senti realizada e não conseguia parar de testar mil formas de penteados para inovar. Na segunda cheguei na escola me sentindo bem mais confiante e bonita, e todos os meus amigos gostaram da mudança. Mas com o tempo descobri na pele que alisamento não é a melhor coisa do mundo já que precisa de cuidados, paciência e dedicação assim como os cuidados com os cachos. A única diferença é que com o alisamento a gente gasta mais dinheiro. 

Depois do alisamento parti para as tintas e a cada seis meses aparecia com uma cor diferente no cabelo. Até que em 2012 arrisquei no ruivo e aqui estou. Depois comecei a me arriscar nos cortes e agora já quero mudar de novo. 

Tá, mas o que isso tudo tem a ver com empoderamento? Tem a ver que, se eu tivesse tido mais influências cacheadas, informação fácil e respeito, provavelmente hoje seria uma Rayza Nicácio feliz com meu cabelo cacheado e hidratado (talvez não tão hidratado assim porquê amo uma tintazinha). Hoje sou sim feliz com meu cabelo, não volto aos cachos por pura falta de força de vontade de passar pela transição já que agora meu fio não cresce mais enroladinho e sim todo poroso sem forma alguma. E só sou feliz porque fui moldando, do meu próprio jeito, tudo aquilo que me agrada e que eu acredito que combine com o meu físico e meu interior. 


Lembro de poucas meninas no meu colégio que tinham de fato orgulho dos seus cachos e do cabelo natural em si e eu tinha admiração por elas terem resistido ao alisamento e tinturas porque se sentem bem da maneira que são. E fico mais feliz ainda só de pensar que daqui em diante muitas meninas vão manter os seus cachos graças à essa força feminina que tomou conta da internet e que está ganhando cada vez mais lugar na mídia. 

Essa aceitação e apoio gera uma mudança absurda na sociedade, uma mudança pra melhor. Diversifica nossos estilos, pensamentos e atitudes. Nós não precisamos ser todas parecidas para sermos aceitas nos padrões. Até porque padrão não é uma palavra muito agradável

E eu não quero que vocês pensem que empoderamento é só aderir ao cacheado. NÃO! Você pode sim (e deve!) alisar seu cabelo se isso vai te fazer mais feliz. Você pode sim pintar ele da cor que quiser por mais diferente que ela seja da sua realidade. Você consegue sim ignorar pensamentos de amigos e familiares e ser feliz com a estética que quiser!


Então pinte, alise, enrole, escureça, clareie, corte, alongue do jeito que você - e só você - quiser. A vida é curta demais pra reclamar todo dia de cabelo sem graça, crise de identidade, bad hair day ou sei lá mais o quê.

E posso te contar um segredo? Foi assim que passei a adorar e achar lindo tudo que é diferente do convencional. Ás vezes algo nem é tão bonito assim esteticamente para nós, mas só em notar a coragem e autoconfiança da pessoa que aderiu a tal coisa, se torna deslumbrante. Acredito que seja isso que sentimos quando dizemos "lindo, mas eu não teria coragem". Entende?

Por mim, eu teria todos os cabelos do mundo em diferentes fazes da vida, pena que nem todos estejam ao meu alcance. Inclusive, já quero mudar radicalmente mais uma vez! Pena que tenho um potão de 1kg de tonalizante que não quero me desfazer enquanto não acabar e queria meu cabelo bem comprido antes da tal mudança radical.


Me conta aí se esse post foi útil pra você, se tem alguma história relacionada ao assunto ou se tem vontade mudar também. Vou adorar saber! E não se esqueça: seu acabelo, assim como o seu corpo, são suas escolhas!